Dentro de alguns dias, Portugal vai receber a visita do Papa e o momento será aproveitado para a canonização dos pastorinhos Francisco e Jacinta Marto. Num país tão católico, e olhando para a enorme popularidade alcançada pelo nome Fátima [sobretudo, Maria de Fátima] até poderíamos esperar que Jacinta também conseguisse cativar os portugueses, mas a popularidade deste nome não foi afectada pela aparição de Nossa Senhora na Cova da Iria. Uma das explicações poderá estar relacionada com o uso de Jacinto que, até então, era a variante mais frequente. Ainda que nunca tenha sido um nome extremamente comum, é fácil de o localizar em Portugal desde o século XVIII e usou-se com moderação até aos anos 70 do século XX. É um nome que se encontra mais na geração dos nossos avós e dos nossos pais, mas não exclusivamente, e até temos o exemplo de Jacinto Lucas Pires, escritor português nascido em 1974. Nos dias que correm, tanto Jacinto como Jacinta são pouco utilizados mas, em 2016, Jacinta foi escolhido para 11 meninas, enquanto que, no mesmo período, Jacinto apenas foi registado em quatro meninos. Curiosa, esta inversão.
Eu gosto de Jacinto, tal como gosto de Jacinta. Como nome de flor, poderá suscitar algumas reservas, já que a atribuição de nomes masculinos tende a afastar-se do critério da delicadeza [ainda assim, temos aqui uma lista de nomes delicados para meninos] mas, para mim, Jacinto tem vida própria para lá dessa associação. Mais difícil será, talvez, ultrapassar aquela brincadeira que já terão ouvido e que poderá desagradar e muito a uma criança que seja importunada com ela.
O que acham de Jacinto? Conseguem dissociar Jacinta do fenómeno de Fátima? Qual dos dois vos parece mais usável? Na blogosfera portuguesa, há uma família que tem um pequeno Jacinto, irmão do Benjamim, da Luz e da Maria Jasmim. Que belo quarteto!

